O que aconteceu com o Playcenter? A história do parque

Se você cresceu entre os anos 80 e 2000, a simples menção ao Playcenter provavelmente traz uma onda de nostalgia. Localizado no coração de São Paulo, ele foi muito mais que um parque de diversões; foi um fenômeno nacional que marcou a memória de milhões de brasileiros com suas atrações radicais e eventos inesquecíveis. Contudo, em 2012, o gigante do entretenimento fechou suas portas para sempre. Mas, afinal, o que aconteceu com o Playcenter? Neste artigo, vamos mergulhar na história do parque, desde sua ascensão meteórica até os fatores que culminaram em seu fechamento.

Vista panorâmica do parque de diversões Playcenter ao entardecer, mostrando a silhueta da montanha-russa Looping Star e da roda-gigante iluminada, ilustrando a história sobre o que aconteceu com o Playcenter

O Sonho de um Visionário: A Origem do Playcenter

Tudo começou com o empresário Marcelo Gutglas. Após obter sucesso com a fabricação e aluguel de máquinas de Jukeboxes e Pinball, uma viagem à Itália o inspirou a trazer um conceito de parque de diversões moderno para o Brasil. Em 27 de julho de 1973, o Playcenter foi inaugurado, inicialmente com poucas atrações, como a montanha-russa metálica Superjet, que foi um sucesso imediato, chegando a operar por 24 horas seguidas para atender à demanda.

Com o crescimento do público, o parque se mudou para um terreno de 30.000 m² na Marginal Tietê, onde se consolidou como uma referência nacional. O lançamento do “Passaporte da Alegria” em 1975 revolucionou o acesso, tornando o parque ainda mais popular e recebendo mais de 1,6 milhão de visitantes por ano.

Auge, Eventos Icônicos e Atrações Memoráveis

Para manter o público engajado, o Playcenter apostou em eventos grandiosos. O mais famoso deles foi as “Noites do Terror”, lançado em 1988, um evento noturno com personagens assustadores que se tornou uma marca registrada do parque.

Um dos episódios mais curiosos foi a visita secreta de Michael Jackson em 1993. A visita, que deveria ser sigilosa, foi secretamente filmada e divulgada no Jornal Nacional, gerando a maior publicidade da história do parque. Além disso, o local foi palco para shows de artistas como Bozo, Menudos e Roberto Carlos.

Entre as atrações clássicas que marcaram gerações, destacam-se:

  • Superjet: A primeira montanha-russa do parque.
  • Looping Star: Famosa por seu looping radical.
  • Turbo Drop: Um elevador com uma queda vertiginosa.
  • Castelo dos Horrores: Uma das atrações mais disputadas.
  • Boomerang, Cataclisma e Splash.

A Expansão e a Chegada de um Concorrente

O sucesso levou à expansão da marca com a criação da Playland em shoppings a partir de 1981 e uma unidade do Playcenter em Pernambuco, que mais tarde foi vendida e se tornou o Mirabilândia.

Nos anos 90, Marcelo Gutglas sonhava em criar um parque ainda maior, nos moldes da Disney. Em parceria com a GP Investments, iniciou-se a construção do “Playcenter Great Adventure”. No entanto, problemas com o orçamento, licenças e a crise econômica fizeram com que Marcelo se afastasse do projeto. A GP Investments assumiu e, em 1999, inaugurou o Hopi Hari, que nasceu como um concorrente direto do Playcenter.

A Crise: Acidentes, Dívidas e o Fim Iminente

Mesmo com tentativas de revitalização, o Playcenter entrou em um período sombrio. A concorrência com o Hopi Hari, que atraiu as excursões escolares, foi um grande golpe. No entanto, os acidentes foram determinantes para manchar a reputação do parque. Em 2010, uma colisão na montanha-russa Looping Star feriu 15 pessoas. Em 2011, um acidente ainda mais grave no brinquedo Double Shock deixou oito pessoas feridas após uma queda de 7 metros.

Esses episódios, somados a dívidas acumuladas, o alto custo de manutenção com peças importadas e a valorização do dólar, tornaram a situação insustentável. O fator final foi o aluguel do terreno. A área havia se valorizado imensamente, e o parque não tinha como arcar com os custos ou comprar o espaço.

O Fechamento e o Legado do Playcenter

Em 29 de julho de 2012, o Playcenter encerrou oficialmente suas atividades. O terreno hoje abriga um complexo com prédios residenciais e comerciais. Alguns de seus brinquedos foram vendidos para outros parques, como o Animalia Parque e parques nos Estados Unidos e Alemanha.

Em 2018, a esperança dos fãs foi parcialmente reacendida com a inauguração do Playcenter Family, uma versão menor e focada no público infantil, localizada no Shopping Aricanduva. Recentemente, em fevereiro de 2024, a Cacau Show comprou o grupo Play Center, com planos de criar um novo parque temático, o Cacau Park.

Apesar de não existir mais em sua forma original, o Playcenter segue vivo na memória de quem teve o privilégio de viver a magia de um dos maiores parques de diversões da história do Brasil